O AMOR NA POESIA DE CECÍLIA MEIRELES
Olhavas-me tanto
E estavas tão perto de mim
que, no meu extase,
nem sabia quem fosse
cada um de nós...
Era num lugar tão longe
que nem parecia nete mundo...
Num lugar sem horizontes,
onde, sobre águas imóveis,
havia lótus encantados...
Vinham de mais longe,
de ainda mais longe,
músicas serenissimas,
imateriais como silencios...
Músicas para se ouvirem com a alma, apenas...
E tudo em torno eram purificações...
Não sei para onde me levavas:
mas aqueles caminhos pareciam
caminhos eternos
que vão até o último sol...
E eu me sentia tão leve,
como o pensamento de quem dorme...
Eu me sentia com aquela outra vida,
que vem depois da vida...
Eleito ó eleito,
eu queria ficar sonhando
para sempre,
queria ficar.
para sempre
tão perto de Tí
que, no meu êxtase,
nem se pudesse saber
qual fosse cada um de nós...
(Cecíia Meireles)

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