domingo, 8 de maio de 2016

Uma flor chamada mamãe
 © Letícia Thompson


Quando descobrimos que vamos ser mamãe pela primeira vez, uma aura de encantamento toma conta da gente. E nós dificilmente pensamos em outra coisa. À nossa criança é dirigido nosso último pensamento antes de dormir e o primeiro quando acordamos.
E chega o dia em que temos essa criaturinha nos nossos braços e temos dificuldade em acreditar. Tantas vezes sonhamos com esse rostinho e agora que o vemos é como se tudo fosse irreal. Amamos então no mais profundo de nós mesmas; amamos com toda nossa alma e nosso ser. E nos convencemos que nunca mais conseguiremos sentir um amor igual, ou pelo menos que se compare.
E, a criança crescendo, vamos desenvolvendo com ela esse amor. E muitas vezes quando já não temos mais nosso "bebê" e percebemos que já existe uma pessoinha cheia de vontade própria querendo enfrentar o mundo, nasce em nós novamente o desejo de maternidade. Então acontece: a segunda criança se encaminha!
Depois das primeiras alegrias da descoberta, algo estranho e assustador se instala: uma certa inquietação. Nós, que julgamos nunca mais poder amar da forma como amamos o primeiro, como amaremos aquela criança? A amaremos com a mesma intensidade? E se o ciúme do irmãozinho ou irmãzinha se manifestar, como vamos lidar com isso? Será que saberemos nos dividir para dar na medida exata a cada um?
São estas entre outras questões... e pode acontecer que nos sintamos culpadas em relação à primeira criança. Saberemos que daqui a pouco outra vai chegar que vai "tomar o lugar dela." Não seremos mais tão disponíveis. 
Mas para todas essas perguntas existe uma só resposta, que é básica para todas as outras também: coração de mãe é elástico. Penso que da mesma maneira como Jesus efetuou a multiplicação dos pães, o amor é multiplicado no coração de uma mãe e amor vai ter e vai até sobrar, para mais um, mais dois ou até quem sabe, para mais... e quanto mais amor, mais sabedoria, mais instinto de como lidar com todas as outras coisas. 
Cada filho é único e deve ser tratado como único. Digamos que a mãe é uma mão e que os cinco dedos sejam seus filhos. Todos iguais, todos diferentes, todos ligados da mesma forma, embora cada qual aponte para um lado diferente.
Assim, nosso coração nos dita o que fazer, no momento certo. Há mães que parecem mais apegadas a um filho que outro e isso pode ser devido aquele filho corresponder melhor ao seu caráter, à sua personalidade. Mas não significa um amor menor. É freqüente que uma mãe demonstre mais amor pelo filho que dá mais trabalho. Isso se explica pelo fato dela sentir no seu coração, inconscientemente até, que aquele filho necessita de um cuidado especial. 
Difícil é que os irmãos entendam isso, eles se sentem injustiçados. Portanto, o que é a justiça? É dar a cada um a medida exata do que ele precisa para ser feliz. Sendo diferentes, nossa medida de necessidade também é diferente.
Amor de mãe é amor de mãe. Não muda, não se desgasta. Uma mãe que perde um filho pode ter dez outros, ela será para sempre uma mãe podada de um filho e ela carregará isso para o resto da sua existência.
Uma mãe é uma rosa que se desdobra em diferentes pétalas, sem portanto perder da sua graça, beleza e poder de perfumar e encantar todos à sua volta.



Letícia Thompson

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